
Ela olhava para os lados e se imaginava num deserto. Como um cavalo no deserto. Seus olhos estavam tomados de uma pequena camada aquosa, sim, eram lágrimas anteriormente derramadas. Se encostou em algo que havia atrás de si e simplesmente se deixou escorrer pelo chão. Apoiou a cabeça nos joelhos e ficou a pensar em tudo que havia acontecido. Lembrava bem de quando sua vida era as mil maravilhas, de quando tudo dava certo, e de quando ele estava junto dela, e era ele quem alegrava seus dias. Inclinou o corpo e aos poucos se recostou no chão, olhando para cima e vendo o céu acinzentado, e a chuva caiu. Chovia como há muito ela não via cair água do céu. Chuva lava a alma era o que diziam, e ela naquele momento, concordou. Seus olhos se cerraram, e para qualquer um que passasse, ela estava morta, ou parecia estar. Sentiu algo em sua mão de repente, e do nada se moveu e respirou fundo, abrindo um dos olhos e um pingo de água caindo em seus lábios secos, ela lambendo-os e umidecendo sua boca. Sorriu um pouco e uma luz brilhou em seu rosto. A chuva se fora. Se espreguiçou e soltou um murmuro baixo, abrindo agora ambos os olhos, fitando o céu, que agora estava claro e azul. Se sentou e olhou para os lados. Não havia mais ele ou outros, era apenas ela. Havia encarado pelo ângulo errado. Haviam sempre perdas na vida, e mesmo sendo difícil, aquele sol depois daquela chuva lhe mostrava que mesmo com altos e baixos havia sempre esperança. Se ergueu e ajeitou os cabelos bagunçados, dando um bocejo e olhando em volta, vendo ali em frente uma loja de conveniências. Entrou e um pequeno sino fez um barulhinho, arrancando um sorriso dela - Em que posso ajudá-la? Uma voz grave ecoou e ela procurou quem era, seus olhos parando num belo homem de cabelos compridos, um cavanhaque por fazer, olhos claros. A pele morena – Bom… Não soube o que dizer, mas sorriu internamente. Quem sabe não teria achado seu novo ele?